Os alimentos contaminados podem estar na nossa casa
Edição: Marisa De Lucia
Durante o Verão aumentam os casos de pessoas que se intoxicam por causa da ingestão de alimentos contaminados. Por isso, aumenta a preocupação com a conservação dos alimentos, que tendem a se deteriorar com mais facilidade e rapidez.
Durante o dia a dia, pode-se consumir comida contaminada em restaurantes, nas praias, nos acampamentos, nas reuniões de família, ou até mesmo em nossas cozinhas.

De acordo com Dr. Vladimir Schraibman, cirurgião geral, gastrocirurgião e orientador de Cirurgias Robóticas da área de Cirurgia Geral e do Aparelho Digestivo do HIAE-Hospital Israelita Albert Einstein (Proctor Intuitive Robotic System), os alimentos podem ser contaminados em qualquer momento, ou seja, desde a produção até a chegada ao prato das pessoas. “Normalmente, bactérias patogênicas, toxinas, vírus ou parasitas podem agir durante os processos de manipulação, preparo e estocagem. Porém, também podem se manifestar quando os alimentos envelhecem ou o prazo de validade vence, o que os tornam impróprios para serem ingeridos”, afirma a médico.
Os principais sintomas da infecção alimentar são diarreias, dores abdominais, vômitos, desidratação e, por vezes, febre, que aparecem após um período de incubação que podem durar umas horas ou vários dias, e podem prevalecer durante um período que varia entre um dia e uma semana. “Há também alguns vírus causadores de Doenças de Origem Alimentar, que não se multiplicam nos alimentos, por serem específicos para se manifestarem quando em contato com as células humanas. Nestes casos, a destruição destes vírus só ocorre se os alimentos forem devidamente cozidos antes de ingeridos, por isso a importância do preparo”, alerta.
Segundo Dr. Vladimir, o botulismo é uma doença paralisante rara, porém grave, causada por uma toxina que afeta os nervos produzida pela bactéria Clostridium botulinum. Há três tipos principais de botulismo e um deles é o alimentar. “Botulismo alimentar é causado pela ingestão de comida que contenha a toxina botulínica. A principal forma de adquirir a doença é através da ingestão de seus esporos, que são encontrados no solo, em produtos agrícolas, como o mel e defumados; e em peixes e outros organismos marinhos. Além disso, alimentos enlatados, em vidros ou embalados a vácuo, conservas e embutidos, também são locais nos quais podem ser encontrados esses esporos, principalmente se preparados em condições de higiene precárias”, ressalta o gastrocirurgião.
Entre os alimentos que oferecem maior risco de causar infecção alimentar estão os ovos – estes quando crus ou mal cozidos podem estar contaminados com a bactéria salmonella -, e os mariscos, que alojam parasitas em seu interior. “É necessário bastante cuidado ao consumir frutos do mar frescos e crus, pois o risco de contrair uma infecção por alguma bactéria ou vírus é grande. Portanto, prefira mariscos bem preparados e cozidos. O processo de congelamento e aquecimento do alimento na temperatura ideal mata os parasitas”, explica Dr. Vladimir.

O tratamento de uma infecção alimentar é realizado com bastante hidratação, seja ela por via oral ou endovenosa, medicamentos para enjoo e algumas vezes antibióticos. Todo o diagnóstico e indicação de tratamento deve ser realizado pelo médico – nada de automedicação. 10 dicas sobre cuidados com alimentos
- Sempre consuma ovos cozidos, fritos e com a gema dura, nunca mole;
- Escolha os produtos mais frescos possível, verificando a data de fabricação e validade;
- Não misture alimentos de origens diferentes, como carnes e verduras, em cima da pia;
- Lave as mãos antes de cozinhar e depois de ir ao banheiro;
- Mantenha a cozinha sempre limpa;
- Cozinhe bem os alimentos;
- Em restaurantes, observe com atenção a higiene do local;
- Lave embalagens de refrigerantes ou outras bebidas com água e sabão;
- Guarde os alimentos na geladeira;
- Não deixe a carne crua entrar em contato com a que está cozida ou assada. Além disso, evite comprar em estabelecimento onde carnes cruas e cozidas ficam juntas.